O evangelho segundo Marcos apresenta-se estruturado
em duas partes: 1,2-8,26 antes da profissão
de fé de Pedro e 8, 27-16,8 depois da profissão
de fé de Pedro. Estas duas partes se complementam.
A primeira nos diz que Jesus é o Cristo, através
da profissão de fé de Pedro em 8,29;
portanto esta primeira parte responde à pergunta:
Quem é este? e termina com os discípulos
reconhecendo que Jesus é o Messias.
A segunda parte nos revela o modo como Jesus realizará
a sua missão e que tipo de messias ele é:
um messias que sofre e que deverá passar pela
paixão, morte e ressurreição.
Esta parte tem como ponto culminante também
uma profissão de fé, a do centurião:
“Verdadeiramente este homem era filho de Deus”
(Cf. Mc 15,39). Ela desenvolve ainda o modo como Jesus
vai estabelecer o seu Reino e as condições
necessárias para entrar nele. Os discípulos
são chamados a testemunhar o tipo de messias
que ele é, um messias diferente, inesperado,
bem ao contrário das expectativas da época.
A exemplo do Mestre eles devem seguir seu caminho
de serviço e formar um novo povo de Deus. Jesus
deixa claro que se alguém quiser ser seu verdadeiro
discípulo deve negar-se a si mesmo, tomar a
sua cruz e segui-lo.
A parte central do evangelho acontece quando Jesus
deixa a Galileia e segue em direção
a Jerusalém e após a profissão
de fé de Pedro, anuncia a sua morte e ressurreição.
Durante a caminhada a Jerusalém acontece um
progressivo esclarecimento do projeto messiânico
de Jesus. Após ter sido proclamado, o Cristo,
por Pedro, ele ordena que não falem a respeito
disso com ninguém e começa a instruí-los
sobre o destino do filho do homem: perseguição,
humilhação, glorificação.
Jesus proíbe os discípulos de revelar
quem ele é devido a falta de compreensão
daqueles que o escutam, pois esperam um messias guerreiro
e glorioso.
Outro tema que ganha grande importância neste
evangelho é o dos discípulos. O evangelista
dá pouco espaço aos discursos e insiste
sobre o ensino, o discipulado, o seguimento e a instrução
dos discípulos. O discipulado e seguimento
no evangelho segundo Marcos são pontos imprescindíveis
para se pensar a comunidade e a missão. O discipulado
se dá por meio de um processo de identificação
com o modo de Jesus viver e agir. É na identificação
com suas palavras e gestos que os discípulos
fazem a experiência de ser discípulos.
Este caminho é percorrido como experiência
de associação do mestre em sua paixão,
morte e ressurreição. Ao discípulo
será oferecido o desafio de partilhar do mesmo
destino de Jesus.
Como podemos observar, quase toda a narrativa concentra-se
na identidade de Jesus, no modo como ele realiza a
sua missão e na instrução dos
discípulos, como pessoas chamadas a dar continuidade
ao anúncio do Reino.
Para você
refletir:
O caminho de discipulado é um caminho de
conversão, como isso se dá em minha
vida?
A nossa fé está alicerçada
na comunidade eclesial, de que modo estou contribuindo
para o crescimento e amadurecimento da fé
dos meus irmãos/irmãs?
Quais os gestos de Jesus com os quais mais me identifico
e por quê?
Entre em contato conosco: sab@paulinas.com.br
|