No mês de
agosto foi-nos oferecido um comentário sobre
um texto bíblico, referente ao profeta Jonas,
sobre o qual fazemos reflexões neste ano. Por
meio dele, tomamos consciência da fraqueza interior
desse personagem, diante de sua desobediência
à vontade de Deus, como também do seu
arrependimento e adesão posterior à
ordem recebida. Era, na verdade, uma obediência
difícil e perigosa!
A ordem de Deus era que Jonas fosse à Nínive,
a fim de profetizar sobre a destruição
dessa cidade se o povo não se convertesse,
pois nela se cometiam muitos e graves pecados. Seus
moradores já haviam chegado ao limite de seus
maus comportamentos, merecendo a reprovação
de Deus. Jonas teve medo das consequências de
sua missão e retrocedeu. Tentando esconder-se,
embarcou em sentido contrário à Nínive,
seguindo para Társis. Mas, veio a tempestade!
A situação era perigosa! Sentindo-se
culpado pela situação de desespero da
tripulação e por ter atraído
a ira de Deus sobre si, pediu aos marinheiros que
o atirassem ao mar.
Imaginemos a aflição de Jonas, ao saber
que estavam em perigo de vida por sua causa. Quem
sabe quantos pensamentos temerosos lhe vieram à
mente, sendo atormentado pela própria consciência.
Na verdade, ele estava desobedecendo a Deus que, com
todo direito lhe confiava uma missão difícil,
em que poderia ter sucesso, mas também, ser
mal interpretado pelos ninivitas. Resolveu então
seguir outro caminho, tentando ocultar-se de Deus.
E fugiu!
Será que já nos encontramos em situações
semelhantes, ou até mesmo mais difíceis
do que a de Jonas? Certamente passamos por momentos
difíceis de dúvidas, de descontentamentos,
de espantos que provocaram em nós reações
impulsivas e descontroladas. E nós tivemos
que procurar a solução adequada, mesmo
devendo encontrar dificuldades, tropeços, mal
entendidos como prelúdios da tranqüilidade
que depois viria acalmar nossa agitação,
levando-nos ao cumprimento de nossos deveres. É
assim mesmo que as coisas acontecem!
E nós perguntamos: porque essas dificuldades
existem? Nós mesmos podemos dar-nos a resposta.
Porque somos pessoas distintas umas das outras, cada
qual com uma formação humana que lhe
foi proporcionada, conforme as circunstâncias
de sua realidade existencial. Infelizmente, a sociedade
sustenta uma disparidade crônica que privilegia
uns, minimizando outros, sustentando a opulência,
a exaltação do conhecimento, desprezando
a pobreza e até mesmo a miséria existentes.
E não é só. Essa diferença
social nega, à grande número de pessoas,
o acesso ao estudo, à cultura, ao convívio
social, dado que elas não estão em condições
de se apresentarem adequadamente.
Deus não criou o mundo desprovido dos bens
necessários à sobrevivência das
pessoas, cuja dignidade é inerente ao próprio
ser. Ele criou um mundo repleto de recursos e deu
aos seres humanos inteligência suficiente para
utilizar os bens da natureza, em favor de toda a humanidade.
Mas, infelizmente, há muita vaidade e interesses
prejudiciais sobre a terra!
Ao lado de tanta desigualdade, porém, há
também muita solidariedade. Felizmente! Existem
pessoas que sabem olhar para as necessidades alheias
e estão sempre prontas a socorrer os necessitados
de atenções, de ajuda, de instrução
que os inclua na sociedade. Existem pessoas que repartem
o seu pão com aqueles que não o tem,
aliviando sua fome e seus sofrimentos. Contudo, pelo
muito que se faça é sempre pouco em
proporção às necessidades dos
menos afortunados.
No entanto, constatar essa realidade, não é
suficiente. É preciso que cada pessoa faça
sua parte conforme as próprias possibilidades,
estendendo a mão às pessoas que necessitam
de ajuda seja para saciar a fome, seja para desenvolverem
as capacidades intelectuais e se promoverem na vida,
podendo assim providenciar seu próprio sustento,
vivendo dignamente.
Deus colocou na natureza os recursos necessários
para o sustento da humanidade, pois ele quer que todos
sejam felizes. Oxalá um dia a miséria
seja erradicada da terra e aja alimento e felicidade
para todos! Por isso, agradecemos e bendizemos o santo
nome do Senhor!
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Em
que eu me pereço com Jonas?
Na
sociedade atual, o que você identificaria
com Jonas? Porque?
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